Desculpe,
mas eu vou falar,
Vou
clamar pela igualdade,
Vou rogar
pela sinceridade,
Vou
brigar contra a mediocridade,
Quero
sonhar com a liberdade.
Desculpe,
mas eu vou falar,
Vou
clamar pela igualdade,
Não quero
mais ver o mendigo na calçada,
Não quero
mais saber de criança assassinada,
Não quero
mais o terror de uma cabeça esfacelada,
Quero a
criança com direito a maioridade,
Quero uma
vida digna a humanidade.
Desculpe
mas eu vou falar,
Vou rogar
pela sinceridade,
Do
político que se reelege,
Do
governante que não me recebe,
Dos
amigos que não mais comparecem,
Do
egoísmo que prevalece,
Do fato
consumado que não se reverte,
Da
polícia que não me protege,
Do mundo
que não me reconhece.
Desculpe
mas eu vou falar,
Vou
brigar contra a mediocridade,
Do
ignorante que não se contêm,
Do
imigrante que não mais nos convêm,
Do
operário que não quer crescer,
Da dona
de casa que desistiu de viver,
Do meu
salário que não quer sobreviver,
Do cego
que não pode mais ver.
Desculpe
mas eu vou falar,
Vou
sonhar com a liberdade,
De um dia
ser mais alguém,
E não
apenas um ninguém,
Quero o
meu próprio mundo aos meus pés,
E puxá-lo
para cima do horizonte,
Quero
correr até aquele monte,
Quero a
brisa do veleiro no meu rosto,
Quero
poder falar, gritar, rogar e até implorar,
Quero a
notícia do meu sucesso em todos os jornais,
Quero o
mundo pequeno demais,
Quero
você sempre ao meu lado,
Não quero
mais viver oprimido,
Quero o
meu futuro a tanto esquecido,
Quero o
direito aos meus direitos,
Não quero
mais escrever uma revolta,
Não quero
mais ficar atrás da porta,
Desculpe
mas eu vou falar
Desculpe
mas eu vou... Chorar.
Carlos de Carvalho

Que poesia atual.
ResponderExcluirCreio que todos queremos isso tudo.
Estamos cansados de tudo.
Precisamos reagir e mudar tudo, mas como?
Não desistindo por mais difícil que seja.
Esse Carlos escreve lindamente.
Abraços.
Obrigado Jussara, cada um tem uma forma de protestar, eu encontrei a minha com poesia, e isso me dá forças para continuar sem nunca desistir. abraços.
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