Às vezes me vejo ti vendo ao longe, no horizonte,
Teu semblante me parece nítido, vejo tuas formas nas nuvens que passam,
Ouço-me gritando seu nome sem ninguém para me escutar.
A saudade me causa medo, angústia e solidão,
E na solidão de quatro paredes, só penso eu dentro de você,
O gosto amargo do silêncio se traduz em palavras escritas no branco do papel,
Um poema de arquitetura mágica que traduzem em palavras o que não sei dizer,
Minhas mãos são minha língua, meus versos o alfabeto, meus desejos minha poesia.
Códigos colocados no papel que traduzem todo sentimento que acalenta,
A emoção se redobra no simples fato de pensar em você,
Meu coração acelera, pois num instante pensei que pensavas em mim,
Até sinto sua respiração ofegante e inocente,
Vejo a amplitude do seu sorriso ampliando minha devoção,
Me entrego na ilusão de ver os teus olhos se fixando no meu olhar,
Me sinto como um discípulo adorando uma deusa,
Consigo sentir seu abraço num calor intenso como um sol que amedronta, mas que me fazes protegido iluminando meus passos.
Quero voar com você, nas forças das tuas asas e sentir que não estou sozinho, nunca.
Eu sei que ti quero muito,
O tempo que falta para nos unir parece eterno, é a dimensão do meu próprio medo,
Minhas mãos querem afagar o teu corpo, mas só conseguem sentir o vazio.
Vazio que fica quando não estás ao meu lado, me desequilibra...
Sinto o cheiro do teu mel, quero sugar o gosto do teu desejo,
aprofundar num toque de dedos tua carne mais macia, mais íntima... como
quem desvenda um segredo e depois repousa exausto mas, em paz.
Há uma lágrima rolando, e o que me resta é a solidão da espera, que parece eterna.
No amor sempre existe saudade, na espera sempre existe desejo,
No desejo vem a volúpia e na volúpia quero só você,
Queira estar sempre ao meu lado como eu quero sempre ficar em ti.
Carlos de Carvalho

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