quarta-feira, 14 de maio de 2014

Pela vidraça eu vi






A caneta escorrega no papel sem direção.
Quero escrever algo e não encontro as palavras certas.
Olho pela janela e busco a inspiração.
 Mas só encontro o barulho do mundo.
Carros, gentes, animais, ventos... 
Barulhos que não dizem  nada.
Tudo deveria ser poesia, mas a poesia não quer sair de dentro.
Vejo uma fumaça ao longe.
Parece o recado de alguém que na fumaça quer ser notado.
A caneta continua escorregando, continua buscando.
Tento olhar para outro lado e percebo meu reflexo na vidraça.
Vejo alguém que não sou eu, que não quer ser eu.
É apenas reflexo, imagem  irreal...
Mesmo sendo reflexo do que sou não é reflexo do que deveria ser.
Fecho os olhos, a caneta para por um instante, não quer mais delirar.
Preciso da janela da alma para ver o mundo.
E vejo o mundo que se  escorrega pela vida.
Uma árvore balança com o vento, é uma luta constante.
Folhas caem para que outras possam nascer.
A vida continua em ciclos permanentes.
A caneta escorrega pelo papel.
E a vida escorrega lá fora.

Até a próxima                              

Carlos de Carvalho

5 comentários:

  1. Esse menino está cada dia melhor.
    Parabéns!
    Beijos

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  2. Brigaduuu, bom saber que que você gostou, abraços.

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  3. Brigaduuuu... Escrever poesias alegra a alma e encanta o coração,
    sempre que posso coloco no papel meus sentimentos e minhas angústias.
    até mais. abraços.

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