quarta-feira, 2 de julho de 2014

Próximo de mim




Quero agora viver em causa própria,
Sentir o que não pode mais ser sentido.
Quero ganhar o que antes já perdera,
Eu sei que as vezes quero ser o que a vezes não posso ser.
Ser alguém que já perdeu a chance de tornar-se ser,
Buscar a réplica de um argumento falido,
Cantar um refrão já por muito tempo esquecido,
As vezes quero ouvir a voz do coração,
Mas o coração já não dialoga somente se submete.
Somente enlouquece, somente se apavora.

O tempo já não é mais o remédio,
O remédio agora é veneno, me dilacera.
O que mais posso dizer, se ninguém mais me escuta?
Onde está a minha voz, onde está meu bom senso?
Quero uma trégua paterna, eterna, subalterna...

Vou infligir às leis, quero a prisão,
A prisão do seu coração, a prisão da liberdade imposta.
Quero o vento tocando meu rosto,
Quero o inesperado de um encontro não marcado,
Quero curtir a mágoa por ter amado,
Quero a alegria de ter vivido a triste perda,
Quero te encontrar num sonho a cada piscar de olhos,
Quero a paixão batendo a minha porta,
 Ilusão, não quero mais por aí perdida,
Quem tem que se perder, somos nós...
Perdendo- nos, talvez nos encontremos.

Você é a mulher que sempre preciso,
Você é o  amor que sempre me atraí,
Que não me traí, que sempre me busca,
Você é a razão do meu caos,
Faz-me  sentir perdido por vontade,
Coloca-me de encontro ao nosso objetivo,
Provoca-me uma força capaz de remover cada pedra do caminho.

Fique sempre ao meu lado, a minha frente, acima, abaixo...
Mas não saía de perto da minha vontade de te ter para sempre.
                                     
 Até a próxima
Carlos de Carvalho

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