segunda-feira, 28 de julho de 2014

Mundo Moderno


O automóvel colidiu, amassou, se inutilizou,
O jovem saiu... Caiu... Ficou imóvel... Ninguém ligou.
O resgate chegou, mas demorou,
No hospital chegou atrasado... Estava lotado.
Foi transferido para o velório, igual a todos os mortos ficou calado,
Todos se calaram... Alguns choraram... Poucos se lamentaram.
Tudo voltou ao normal esperando o próximo para ser velado.

Uma mulher acordou sorridente...
Contente foi passear, no passeio foi emboscada,
Foi ofendida e ultrajada nas suas entranhas...
Foi violada na sua intimidade.
Foi sufocada na sua dignidade...
Roubaram lhe a paz, foi estuprada... Violentada.
Chorou, pediu justiça, mas o mundo até isso lhe negou,
Voltou à vida da rotina, sacudiu a poeira e nunca mais passeou.
No seu mundo se trancou... Negou-se a enlouquecer...
Deu fim a sua vergonha, apenas se matou...
Ninguém mais noticiou.

Um menino sonhava e empinava sua pipa,
Não percebeu a bala perdida...
Mudou de vida... Talvez a eterna,
Nunca mais se mexeu, nem uma lágrima saia.
Naquele dia morreu com uma lata na mão,
Roubaram lhe a pipa,a linha, a infância e a vida.
No céu não tem vento, também não tem sonhos,
Não importa mais, não precisara mais imaginar...
Que a pipa no ar é seu sonho de voar...
Agora é um anjo e nem uma esperança pôde deixar.


Um homem bêbado desabou na calçada...
Afogado na angústia e na tristeza da humilhação.
Foi atropelado sem escrúpulo por poderoso tubarão,
E ainda foi culpado pelo ocorrido, quem mandou estar ali?
O que ninguém sabe é que a bebedeira é consequência...
Não é causa menos corriqueira que foge da incidência.
Bebeu por vergonha de si mesmo...
Para esquecer que a dignidade lhe escapou,
No salário que não lhe convêm...
Na sociedade que não lhe quer bem...
Nos céus que não mais acredita...
Na vida que não tem mais sentido...
Morreu sozinho, afogado na sua agonia.
Se sobrevivesse não seria julgado inocente,
Se não bebesse não morreria inutilmente,
Preferiu assim à viver indignamente.

Na modernidade a individualidade é normal e aceita.
Não se importam com nada e com ninguém.
Onde está a humanidade tanto querida e pregada?
Onde está o amor?
Talvez preso no orgulho, talvez preso na discórdia.
Talvez acorrentado na angústia de ser moderno.
Não quero mais ser da moda...
Quero viver na simplicidade...
E amar mais a humanidade.

Até a próxima


(Carlos de Carvalho-24/06/14)

Nenhum comentário:

Postar um comentário