sexta-feira, 6 de junho de 2014

Próximo de mim







Quero agora viver em causa própria,

Sentir o que não pode mais ser sentido.

Quero ganhar o que antes já perdera,

Eu sei que as vezes quero ser o que a vezes não posso ser.

Ser alguém que já perdeu a chance de tornar-se ser,

Buscar a réplica de um argumento falido,

Cantar um refrão já por muito tempo esquecido,

As vezes quero ouvir a voz do coração,

Mas o coração já não dialoga somente se submete.

Somente enlouquece, somente se apavora.



O tempo já não é mais o remédio,

O remédio agora é veneno, me dilacera.

O que mais posso dizer, se ninguém mais me escuta?

Onde está a minha voz, onde está meu bom senso?

Quero uma trégua paterna, eterna, subalterna...



Vou infligir às leis, quero a prisão,

A prisão do seu coração, a prisão da liberdade imposta.

Quero o vento tocando meu rosto,

Quero o inesperado de um encontro não marcado,

Quero curtir a mágoa por ter amado,

Quero a alegria de ter vivido a triste perda,

Quero te encontrar num sonho a cada piscar de olhos,

Quero a paixão batendo a minha porta,

 Ilusão, não quero mais por aí perdida,

Quem tem que se perder, somos nós...

Perdendo- nos, talvez nos encontremos.



Você é a mulher que sempre preciso,

Você é o  amor que sempre me atraí,

Que não me traí, que sempre me busca,

Você é a razão do meu caos,

Faz-me  sentir perdido por vontade,

Coloca-me de encontro ao nosso objetivo,

Provoca-me uma força capaz de remover cada pedra do caminho.



Fique sempre ao meu lado, a minha frente, acima, abaixo...

Mas não saia de perto da minha vontade de te ter para sempre.

                                     


Até a próxima

Carlos de Carvalho






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