terça-feira, 8 de abril de 2014

Acordando meio assim.....





Ontem a tarde numa manhã muito chuvosa, eu caminhava lentamente com a pressa diária de um desocupado, passava por um beco muito largo e ,apesar da hora noturna o sol realçava o calor que imanava do asfalto cheio de barro daquela rua sem asfalto, parei de encontro ao meu amigo que não conhecia a muito tempo atrás e, meio sem graça falou algo que não entendi e não me disse nada de importante pois sua voz soava em murmúrios gritantes que saíam de uma boca muito fechada e sem estribeiras no linguajar, ao sair daquele beco imenso muito apertado me dei de encontro a uma praça enorme sem árvores ou flores, me prostrei no primeiro banco que não encontrei e observei um pássaro silencioso que cantava alegremente um canto triste de despedida no cume de um poste que iluminava tudo ao redor. 

Quase sem querer acabei entonando uma música em silencio para acompanhar o pássaro que já voava ao longe no horizonte perdido daquela cidade montanhosa e acabei me perdendo no pântano da esquerda da rua do beco, alias nada tinha de esforço naquelas pessoas que passavam por mim naquela praça deserta e sem movimento a muitos anos que se passam desde que ali me fixei sem remorso por deixar uma vida intensa e sem emoções que deixei antes de entrar no beco. 

Meu amigo ainda mudo queria terminar a conversa que não havia começado e foi logo me intimando a retornar de onde nem tinha chegado nem saído, apenas passei por acaso e não tinha compromisso em ficar onde não poderia  passar nem em pensamento, pois o pensamento estava fechado para novas aventuras e moções e me abrindo fui logo me calando também junto com meu colega que ainda falava muito em estado de mudes permanente que não queriam se calar em gestos articulosos e sem se mover me gritou bem alto nos meus ouvidos frontais.

_ Pare tudo que não entendo nada de tudo isso, muito papo e pouco entendimento, muita loucura numa linda noite ao raiar do dia.

Não entendeu nada?


Nem eu.

Carlos de Carvalho

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