domingo, 20 de abril de 2014

Domingo de Páscoa. Era um dia muito legal.




15 de abril de 1990 - Me lembro das minhas meninas pequenas ainda esperando ansiosas pelo coelhinho da páscoa, que sempre deixava suas pegadinhas pela casa ensinando a como encontrar os ovos de chocolate. Depois de encontra-los, nos arrumávamos e íamos para casa de meus pais para o grande almoço em família.

Nos encontrávamos todos e era uma festa, minhas irmãs e meu irmão e todas as crianças da família, e era uma bagunça de chocolate, muita comida gostosa.

Me lembro que nessa época, quando eram pequenas, os almoços em família eram muito divertidos, cada um trazia seu prato preferido, aquilo de melhor que sabia fazer, ou então, levávamos e fazíamos lá  mesmo.

Quantas vezes fiz minha salada de maionese, nhoque, gelatina colorida, torta de abacaxi. Era realmente um almoço em família, havia troca de chocolates entre todos, e as crianças vinham carregadas com muitos ovos que ganhavam.
Ficávamos o dia todo por lá, e no final da tarde íamos todos com muitas sacolas para o ponto de ônibus, pois ninguém tinha carro.

Aquele feijão do Seu Vitor, a polenta da Dona Ana os frangos assados,  carne cozida de panela, saladas, bifes acebolados e todos os outros pratos que fazíamos ali todos juntos, somente refrigerante e suco, não tinha bebida alcoólica, era muito divertido.

Depois, o tempo passou, vieram as novas tecnologias, as facilidades comerciais, as crianças cresceram e nasceram novas crianças, alguns se casaram e tiveram filhos. E os almoços em famílias mudaram um pouco.

A comida já vinha toda pronta, somente uma pessoa fazia e todos compartilhavam ,  depois do almoço, sentavam se todos à mesa, mas era para dividir as despesas, pois, como uma só pessoa fazia, somente ela comprava tudo, e o restante da família apenas fazia o pagamento. Tinha muita bebida, e de vez em quando saía algumas discussões de alguns que bebiam de mais.
Começamos a ir embora mais cedo, pois, cada um tinha seu carro e não nos reuníamos mais para pegar o ônibus juntos.

O tempo passou, e os almoços mudaram mais ainda, aumentou a quantidade de bebida, o barulho de som e as comidas continuaram a chegar pronta. Já não conseguia comer a comidinha da casa de mãe, que era tão bom, pois, meus pais já não cozinhavam mais. Não por impossibilidade física, mas....porque já vinha tudo pronto.

Meu pai morreu, coisas mudaram mais um pouco. E no começo do ano minha mãe também morreu. Nós éramos tão unidos, que achei que mesmo assim continuaríamos a nos encontrar. Mas... ledo engano. Já não nos  reunimos mais, e dentro da família se formou alguns clãs, e agora as reuniões são desses clãs.

O maior valor que sempre tive foi a reunião em família. Família é o alicerce de nossa vida. Temos que preserva-la a qualquer custo. Por isso, que em todas as famílias se tem problemas brigas, mas todos se perdoam e se reencontram., tudo em prol da preservação.

Bem, isso foi assim um dia. Hoje não é mais.

Esse é o primeiro domingo de páscoa que passo sem a minha família, sem minha filha Dani e meu genro André, e sem os meus garotinhos mais lindos. O ovos de chocolate deles estão aqui. Não almoçamos juntos e não pude entregar seus ovos.

Hoje existem outras prioridades, outras coisas importantes para se fazer.
E parece que a instituição família realmente está a beira da falência.


Que pena, bons tempos, ficarei com as recordações. É o que me resta.





Lourdes Carvalho


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